Os meus tristes nabos

Na minha horta, entre Agosto e Outubro, cresceram os mais tristes nabos que algum dia viram a luz a sul de Paris. Esta não é uma certeza absoluta, porém. Não cotejei com precisão microscópica todo e qualquer nabinho nado em terra mínimas, em hortas escondidas ou em campos distantes. Escrevi por aí algures um guião, mais competente do que o guião escrito por Paulo Portas para a reforma do Estado, e que, tal como este, é completamente inútil. Não vale a pena lê-lo; nada de bom acontecerá. Restam agora uns tristes e frios nabos.



Julgara eu, aquando Agosto, que cultivaria nabos como nunca vistos: graúdos, brilhantes e saborosos. Qual quê? Apenas uns tristes nabos. A dona Carla ainda sugeriu: "Corte-lhes a rama, que é para apanharam sol e engrossarem; diz que é assim que se faz." Triste, humilde e ignorante nabicultor, lá cortei o cabelo aos nabos, esperando um qualquer milagre que não apareceu. Tristes nabos. Triste nabicultor. Há algum tempo que adivinhava este desfecho. Por isso, e porque além de triste sou nabicultor que segue ateimando, semeei outro canteiro de nabos. Dos mesmos. Nabos Rosita de 60 dias. Nabos com um nome assim. Espreitam agora contentemente os raios de sol e começam a reclamar da sombra da nogueira. Sangue na guelra não lhes falta. Estarei muito mais atento desta vez. A ver vamos no que dá.

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