A flor do tomateiro

Um dos elementos mais menosprezados numa horta são as flores. A razão é muito simples: uma horta não se destina a cultivar flores nem o seu fruto algum dia será exposto numa jarra com mais ou menos bom gosto. Não. Os produtos da horta deverão ser comestíveis e isso é, julgo eu, absolutamente consensual, e por isso estarão arredados de qualquer apreciação estética.  Quando falamos que uma couve está bonita, não o dizemos com a intenção de lançar luz alguma sobre a natureza do belo. Antes queremos dizer que a couve engordou que chegue para cozer numa panela. Quando apreciamos um tomate vermelho e grande e dizemos que lindo tomate, não o dizemos com a mesmo intenção com que o dizemos quando apreciamos uma obra de Degas - que nunca, segundo sei, pintou tomates ou produtos hortícolas, preterindo-os a bailarinas. Todavia, minhas senhoras e meus senhores, uma horta vale também pela sua estética. E quando olhamos para uma horta, ou para um dos elementos de uma horta, por vezes não podemos se não deixarmo-nos emocionar pelo estacar perfeito dos pimenteiros ou pelos regos simétricos do feijão.
Dizia eu lá no início do texto, antes de me perder em tonterias, que um dos elementos mais menosprezados numa horta são as flores. E vale bem a pena que olhemos para elas, quando mais não seja porque algumas flores de hortícolas são comestíveis, como por exemplo as flores da courgette. Por cá, delas não se faz caso, mas são uma iguaria muito apreciada em terras italianas. Não é essa a flor que trago hoje; hoje trago a flor do tomateiro. Pequena e amarela, a flor do tomateiro é, imagine-se, hermafrodita. O pólen é libertado e recolhido dentro da própria flor, originando a autofecundação. E cá está ela em todo o seu esplendor, autofecundando-se. As coisas que acontecem na minha horta...

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Flor do tomateiro



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