A vida frágil de um piripireiro

No início eram dois. Dois piripireiros. Um deles morreu do frio, o outro sobreviveu a custo e parece ligado às máquinas dos cuidados intensivos do piripireiros. Encontrei-o alagado de daninhas que lhe comiam os pés. Desafoguei-o e fiz por lhe dar esperança. Podei o rapaz, lavei-lhe a cara. Devolvi-lhe alguma dignidade. Não creio que venha a dar flores ou frutos nos próximos tempos, parece muito doente. Se o clima for de amizades com ele, voltará ao espanto que foi o ano passado. Deu tanto piripiri, mas tanto, que passado um ano ainda nem sei que lhes faça. Agora está assim, como se vê nesta imagem. Não lhe vou exigir nada. Que fique onde está, a olhar muito atento para as flores das courgettes, pode ser que guarde a meloas do caracóis e os tomateiros dos pulgões. Mas não o vejo levantar-se para mexer uma palha, está mesmo débil, o piripireiro. Coitado.


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