Os morangos silvestres, a Bárbara e a história do Capuchinho Vermelho
Pedi este morangueiros silvestres a uma amiga e plantei-os sem grande critério, no cantinho das aromáticas. Eles gostaram muito. E gostaram tanto que correm pela terra fora e plantam irmãos onde os braços chegam. Floriram contentemente e agora têm moranguinhos. Morangos silvestres. A Bárbara adora. Lembra-se da história do Capuchinho Vermelho, que encontrou morangos muito vermelhinhos na floresta, senta-se na terra e colhe os frutinhos delicados, que leva à boca deliciada. Uma pequenina preciosidade. E sabem tão bem!
Os alhos e o senhor de Ligúria que deu na televisão
Deu noutro dia na televisão, num daqueles canais de culinária, a história de um senhor de Ligúria, Itália, que desde 2000 se dedica a cultivar alhos de acordo com gestos tradicionais. Descobriu ele, durante a visita a uma feira, que os alhos estavam a seguir um cultivo industrial, sem cuidado com os sabores autênticos, e que a espécie daquela região perdia-se por causa dos espartilhos económicos. De 200 cuidadosos saquinhos de alhos que cultivou, e vendeu, no primeiro ano, vende atualmente milhares de saquinhos. A televisão mostrava-o a cavar terra, e percebia-se o quão pobre aqueles terrenos eram. Os alhos gostam assim. Dizia-se, e eu concordo, que é o sabor de eleição da culinária mediterrânica. Aliás, todo o mediterrânico tem este cheiro intenso e delicioso. Já antes tinha percebido, e ouvido, o que este senhor afirmava na televisão: os alhos perderam o sabor. Passaram de bolbos pequeninos e aromáticos a gigantones sem sabor, espécie de planta tratada com photoshop, como agora se usa na generalidade das frutas e legumes e plantas vendidas nos supermercados - antes de serem expostos nas prateleiras, todos os vegetais passam pelo photoshop de modo a perderem a personalidade e a as suas particularidades e o que verdadeiramente os distingue. Felizmente, tenho alhos na horta, e se Deus quiser, nascerão imperfeitos, feios, pequeninos, tortos, sujos e com um sabor incomparável. Serão, enfim, perfeitos. Por altura de São João, altura em que, diz a minha mãe, se colhe o alho, se verá. Dizia também o senhor na televisão que, para que fiquem bem curados e aguentem um ano, os alhos deverão ser estendidos para secar ao sol durante um dia e depois estendidos à sombra durante mais uma semana. Assim seja. Por alturas do São João colheremos os alhos. Se fosse no supermercado chamavam-lhes "alhos biológicos", eu chamo-lhes alhos; alhos a sério. E bem vistas as coisas, não há "alhos biológicos" nos supermercados ou noutro sítio qualquer tão bons como estes. Estes são meus.
Que cousa esta é?
Andava a passear nas proximidades de uma beringela. Quase a vi, à planta, rumorejar um fru-fru de folhas afastando-se da estranheza do bicho. Vermelho como sangue vivo. E uma série de patinhas. Sairá ao pai? Sairá à mãe? Donde veio cousa assim? Pois que não o sei. Fica aqui para a posteridade ou para que aqueles senhores que estudam os insectos possam sobre ele debruçar-se, caso assim o entendam. Esta é a melhor imagem. A cousa não parava quieta e julgo eu que a minha câmara tem medo destes e doutrossins (ela eufemiza o embaraço e chama-lhe receio...).
Olhai os lírios da horta. E as outras flores também.
Nestas alturas, e nas outras todas também, gostava de ter uma máquina fotográfica em condições, daquelas que fotografam de tal modo que olhamos para o resultado e nos enternecemos com a delicadeza e a perfeição da tecnologia. Não é o caso. A minha máquina fotográfica é a do telemóvel. Em primeiro lugar porque o cultivo de tomates e pimentos não me pagou nada melhor. Em segundo lugar porque o telemóvel é muito prático e está sempre à mão. Onde se viu cavar terra e a seguir pegar em objetos que valem milhares de euros? Não na minha horta. Ainda assim quero deixar aqui o testemunho da explosão de flores que vai para aquelas bandas, mesmo que a mostra se aperte em imagens de péssima qualidade. Não lhes sei o nome, o das flores. São as flores que a avó da S leva ao cemitério, e não lhes sei o nome. Sei que uma delas se chama lírio, e isso é já uma abundância de sabedoria. É uma roxa que aparece logo em baixo, a seguir ao texto. Penso também que uma outra se chamará craveta. Uma delas. O resto é um mar imenso de ignorância.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







